O casamento de Pedro e Joana se aproxima, mas a casa onde vão morar ainda não está definida. Neste meio, começa uma saga em busca da casa, onde receberão desde propostas bacanas até uma proposta absurda. Será que o casal encontrará sua casa? Leia este conto, que está dividido em 4 capítulos, e descubra as propostas que o casal receberá. 😉
Capítulo 1 - Em busca de uma casa
Joana e seu noivo estavam tensos.
Faltava seis meses até o casamento deles e ainda não tinham definido onde morar
após o casamento. Morar com os sogros não era uma opção. Queriam privacidade e começar
a vida a dois com pessoas já se intrometendo na nossa vida não seria legal.
- Já te falei que eu deixo uma
das casas de aluguel vaga para vocês morarem. - Falava o Seu Gonçalo, pai da
Joana, vez ou outra quando o casal tocava no assunto perto dele.
- Eu sei pai, mas é muito fora de
mão para mim e para o Pedro. O caminho para as casas de aluguel é o dobro do
caminho que percorremos hoje até o trabalho. - Após uma breve pausa, Joana
continuava reclamando - Vamos passar de 2 a 3 horas de trânsito todos os dias.
- Sim, mas eu não cobraria o
aluguel. Coloca na ponta do lápis. Eu daria uma delas de graça para vocês até a
casa de vocês ficar pronta.
- Podíamos ir lá ver como elas
são, certo Joana? - Perguntou Pedro se intrometendo na conversa.
- Você não as conhece ainda? -
Perguntou Joana surpresa - Depois de tantos anos de namoro eu tinha certeza que
você já as conhecia!
- Só conheço as casas por fora.
Passei lá um dia só para ver. Nunca entrei nelas.
- Vocês estão ocupados agora? A
casa do meio está vaga. Podíamos ir lá ver agora se vocês não tiverem outros
planos.
- Por mim tudo bem. O que você
acha Joana?
- Eu já as conheço né Pedro. Mas
podemos ir sim. Você vai adorar o "quartinho Harry Potter".
- "Quartinho Harry
Potter"? Como assim? - Indagava Pedro - Por um acaso tem um quarto debaixo
da escada?
- Tem sim! - Dizia Joana
entusiasmada - É muito legal. Não é para alguém dormir lá né. É mais para
guardar bugigangas e outras bagunças. É um quarto pequeno. Não tem como um
adulto ficar de pé lá dentro.
- Hm. Vamos lá conferir então!
De certa forma o futuro casal
estava entusiasmado, mas sabiam que a casa era longe. Da casa dos pais da Joana
até o seu trabalho eram 23 km de distância. Da casa de aluguel até o trabalho
dela eram 37 km de distância.
- Nossa, a casa por dentro é bem
dividida. Quantos metros quadrados ela possui Seu Gonçalo?
- 80 metros quadrados. Ela parece
pequena por fora, mas são dois andares bem distribuídos.
- É mesmo.
Pedro olhava cada detalhe daquela
casa vazia, até que enfim se deparou com o "quartinho Harry Potter".
- Este será o quarto do castigo?
Quem me incomodar vai parar lá dentro, ouviu Joana? - Disse Pedro com uma voz
de provocação.
- Na na não. - Retrucava Joana
com uma risadinha.
- Então, o que achou Pedro? -
Perguntou Seu Gonçalo.
- A casa é muito legal. Mas vamos
ter que ver se vale a pena. O ônibus passa longe daqui, teríamos que ir de
carro. Mas pegaríamos todo o trânsito da BR. Temos realmente que avaliar.
- Tranquilo. Mas vocês querem que
eu espere? Se alguém quiser alugar a casa, é para deixar reservado?
- Acho que não pai. Se aparecer
alguém para alugar, aluga para essa pessoa. Aqui é legal, mas é muito longe pra
nós também.
- Beleza. Vocês não vão se
arrepender se eu alugar a casa para outra pessoa né filha?
- Não pai. Pode alugar.
- É, acho que pode alugar Seu
Gonçalo.
- Acha? - Indagou Seu Gonçalo à
Pedro.
- Não, não acho. Tenho certeza.
Pode alugar. - Finalizou Pedro, dessa vez com tom de certeza.
Capítulo 2 - Uma proposta indecente
Já tinham descartado a casa de
aluguel do Seu Gonçalo, pai da Joana. Era longe demais considerando o local de
trabalho do casal. Pedro havia lembrado que sua tia Maria tinha uma casa de
madeira próxima ao centro da cidade. A pé, Joana andaria 5 minutos até o
trabalho. Seria uma ótima opção.
- Queres que eu pergunte para a
tia Maria se ela alugaria a casa?
- Você acha que ela alugaria a
casa para nós?
- Podemos tentar. Ela é minha
madrinha, acho que consigo.
- Está bem. Mas a casa não estava
ocupada? O filho mais novo dela não mora lá?
- Ele saiu. Já faz um tempo até.
- Está bem. Pergunta para ela se
ela alugaria por um preço camarada de madrinha. - Disse Joana com uma
risadinha.
- Pode deixar. - Disse Pedro dando
uma piscada. Logo continuou - Ah! Joana. O meu pai fez uma proposta indecente.
- Ah é? Qual proposta? -
Perguntou Joana com desconfiança. Ela já imaginava que algum absurdo viria,
ainda mais quando Pedro falou as palavras "proposta indecente"
juntas.
- O pai quer oferecer para nós a
casa de aluguel lá da rua Coronel. A nossa casa velha.
- Ele quer oferecer a casa velha
de vocês para a gente morar? - Joana tinha ficado surpresa, mas feliz também. -
Poxa, que legal! Mas por quê? Não está alugada para uma senhorinha?
- Está sim, mas a mãe disse que a
senhorinha não paga o aluguel já faz uns 5 meses.
- Nossa. Mas aí teus pais também
não cobram, né?
- É. Eles são mais tranquilos. -
Confirmou Pedro.
- Então, se fosse com o meu pai -
dizia Joana se referindo ao seu Gonçalo - se o inquilino não pagar o aluguel em
um mês ele é expulso. E ainda é cobrado com juros.
- É, só que a proposta do meu pai
não parou em só oferecer a casa.
- Eita, lá vem bomba.
- E é bomba. A casa tem que ser toda
reformada. Está caindo aos pedaços.
- E daí? Somos nós que vamos
fazer isso?
- Essa é a proposta do meu pai.
- Mas credo! - Exclamou Joana
indignada - Quando um inquilino sai da casa do meu pai, paga uma taxa de
manutenção se a casa estiver num estado deplorável. O próximo inquilino recebe
uma casa novinha em folha.
- O pai quer que reformemos a
casa, paguemos um aluguel camarada e em 20 anos compremos a casa.
- Que absurdo! - Novamente
exclamou Joana ainda mais indignada que antes - Teu pai quer ganhar uma casa
nova e ainda arrancar nosso dinheiro para reformar uma casa que nem nossa é.
Absurdo! Pior, ainda quer que compremos ela no futuro!
- É, mas eu não tenho bem certeza
se era 10 ou 20 anos de aluguel. - Tentou justificar Pedro - A casa também é
legal. Só está caindo aos pedaços.
- Olha, nem é pela casa Pedro.
Mas a proposta do teu pai é totalmente absurda. É dinheiro jogado no lixo.
Vamos construir e não vamos gastar o que teu pai quer pela reforma da casa
velha de vocês.
- O que tu achas? Quer conhecer a
casa? Podíamos ir lá.
- Tu ainda me perguntas o que eu
acho? Essa proposta é um absurdo. Minha resposta é mil vezes não. Não sou
burra. Meu pai daria a casa de aluguel para nós. Já o seu João quer cobrar e
ainda quer uma reforma completa. Nem tenta amor. Essa casa velha não é uma
opção.
- Está bem, mas se meu pai
perguntar, tu falas com ele.
- Tranquilo. - Disse Joana dando
uma piscadinha e um sorriso no canto da boca. E continuou - Tomara que a casa
da tua tia seja legal.
- Quando o vô morava lá, era bem
legal. Depois que o filho da tia Maria foi morar lá, nunca mais entrei na casa.
Não sei como ela está.
Capítulo 3 - A casinha de bonecas
Acabou que no dia seguinte foram
visitar a casa. Joana saiu do trabalho e foi a pé até a casa. Pedro tinha saído
antes do trabalho e já a aguardava no local. Joana já tinha visto a casa, mas
nunca entrado nela, afinal o filho da tia Maria não era de receber familiares
em casa e sempre que comemoravam algo faziam no salão de festas da tia Maria.
Chegando lá, Joana se deparou com
uma casa de madeira, muito fofinha. Era amarela num tom clarinho, com um jardim
de hortênsias e uma roseira. A grama havia sido aparada recentemente. Apesar de
charmosa, a casa estava suja por fora. Ainda assim parecia uma casinha de
bonecas, daquelas que todas as meninas sonham ter quando crianças, mas no
tamanho real de um adulto. A tia Maria já tinha mostrado a casa para o Pedro, e
agora com a chegada da Joana mostraria tudo novamente.
Entrando na casa, Joana se
deparou com uma bagunça absurda. Eram caixas e mais caixas de livros,
brinquedos, mochilas e ferramentas espalhadas pela casa em meio aos poucos
móveis que nela estavam.
- Não repara na bagunça Joana.
Meu filho saiu daqui e deixou toda a bagunça para trás.
- Está bem tia.
A casa realmente era charmosa,
mas estava realmente bagunçada e mais suja por dentro do que estava por fora. A
pessoa que morou nela anteriormente conseguiu sujar até as paredes. Mesmo
assim, aquele charme sem igual, como a de uma casa de bonecas, encantou Joana.
Após o passeio dentro da casa, a
tia falou que caso fossem alugar a casa, ela mandaria limpar a casa toda,
tirando todo o entulho deixado pelo filho. O casal realmente gostou da casa.
- Ficamos esperando a proposta da
tia, está bem?
- Está bem Pedro. Te mando pelo
What's ou te ligo. Pode ser?
- Pode ser sim. Mas a tia tem uma
noção de um valor aproximado?
- Não tenho não Pedro. Essas
coisas quem cuida é teu tio. - Disse a tia Maria. Logo emendou - Fica pertinho
para ti, certo Joana? O teu trabalho é aqui do lado. Dá até para tirar um
cochilo no meio dia.
- Olha tia, eu não quero me
acostumar assim não. Mas que seria bom morar aqui perto do trabalho, a isso
seria.
- É mesmo. - Disse a tia Maria -
Pedro, vou conversar com o teu tio. Até final de semana eu te mando uma
resposta sobre o valor. Pode ser?
- Ah, está bem.
- Está vendo só? Eu faço a parte
pesada na casa e teu tio só dá os valores. Folgado esse teu tio né? - Disse a
tia Maria com uma risada.
Saíram dali com um sorriso de
orelha a orelha. Queriam aquela casa, mesmo não sabendo ainda o valor do
aluguel. A casa estava suja, bagunçada e cheia de entulho. Tinham móveis velhos
e alguns pontos de cupim, mas seria um excelente quebra galho até a casa dos
noivos ficar pronta. Entusiasmados, pensando quanto a tia cobraria de aluguel,
foram em direção à casa dos pais de Pedro para a janta. Joana já se preparava
para a proposta que, possivelmente, o seu João faria. Ela tinha treinado na
noite anterior toda a resposta que daria, para não parecer grossa, mas deixar
claro que a proposta era um absurdo.
Capítulo 4 - A proposta desconsiderada
Chegando na casa dos pais de
Pedro, uma deliciosa sopa de ervilhas os esperava. Era uma das especialidades
da mãe de Pedro. Já cheirava bem logo quando entraram na casa, ainda na sala de
estar. Ainda teriam que passar o corredor e a cozinha para então saborear a
delícia que os esperava.
Logo que chegaram na cozinha
foram recebidos por dona Tânia, mãe do Pedro, que enchia os pratos dos noivos
com a sopa de ervilhas.
- Gostaram da casa? - Perguntou
dona Tânia.
- Sim! A casa é muito legal.
Parece uma casinha de bonecas para gente grande, né Pedro?
- É Joana. A casa é legal, mas o
Cláudio deixou aquela casa num estado deplorável.
- É? Por que filho?
- A casa está toda suja, por
dentro e por fora, cheia de bagunça.
- É, mas tem uns móveis muito
legais lá dentro. A casa é muito bonita. Só precisa de uma limpeza. Uma boa
faxinada.
- É, a casa é boa. Foi o pai quem
construiu ela. - Dona Tânia se referia ao seu pai, construtor da casa - Essa
casa já tem mais de 60 anos.
- Nossa mãe, a casa é só um pouco
mais nova que você.
- Claro Pedro. Quando meus pais
se mudaram pra Blumenau eu tinha uns 3 anos.
Após uma breve pausa, dona Tânia
continuou:
- A casa tem uma madeira boa. O
pai usou canela quando fez ela.
- Canela não entra cupim?
- Não, não entra Pedro.
- Mas tinha vários montinhos de
cupim na casa.
- Tem cupim na casa? - Perguntou
dona Tânia com um tom de preocupação.
- Ih dona Tânia, tem um pouco de
cupim sim. Mas acho que é nas mata-juntas da casa.
- Ah! - Exclamou dona Tânia - Nas
mata-juntas pode até ter. O pai sempre cuidava. Talvez o Cláudio não cuidou bem
da casa.
- Não mãe. Ele não cuidou. Ele e
a esposa deixaram aquela casa parecendo que saíram às pressas. É uma bagunça só
na casinha de bonecas, como disse a Joana.
- Ah, mas a casa de bonecas está
boa. Só um pouco malcuidada.
Nesse momento o seu João deixa o
quarto, de onde descansava, e vai para a cozinha. Ele segura um livrinho de
Sudoku e um lápis na mão. Parecia um pouco frustrado. Talvez tenha ficado com
um dos jogos travados.
- Eu tenho uma proposta para te
fazer Joana. - Exclamou o seu João.
- Ih, lá vem ele Joana. - Disse
Pedro já prevendo a conversa.
- Fala seu João. - Disse Joana
preparada para a proposta.
- Eu deixo vocês morarem na nossa
casa lá na rua Coronel. Fica perto para vocês dois irem trabalhar. Dá até de ir
de bicicleta.
- De bicicleta não dá né pai. Não
tem ciclo-faixa. É perigoso.
- É, também acho perigoso. -
Confirmava a dona Tânia.
- Tá bom, vão de ônibus ou de
carro então.
- Ônibus não passa naquela rua.
Tem que vir caminhando até a igreja, dá uns 800 metros da casa até o ponto de
ônibus. - Falou Pedro.
- Ainda assim, é perto. - Dizia
seu João. Dando uma breve pausa, continuou - É no meio do trabalho de vocês
dois. Eu só ia cobrar um aluguel camarada, vocês reformam a casa e já pensam em
comprar ela de mim daqui a 10 anos.
- Te falei 20, certo Joana? Era
10. - Pedro tentava corrigir a fala do dia anterior para Joana.
- É dinheiro jogado no lixo seu
João.
- Como dinheiro jogado no lixo? -
Indagou seu João, com a certeza de que aquele era um ótimo negócio na vida do
novo casal.
- É dinheiro jogado no lixo. -
Confirmou Joana.
Neste momento, Pedro saiu da
cozinha. Ainda nem tinha tocado na sopa. Ele sabia que Joana estava convicta e
não haveria ninguém que a faria mudar de ideia. Ele não ficaria para ver dois
cabeças dura discutindo. Sabia que sua noiva venceria e ele, como não tinha
argumentos frente ao pai, preferia sair do local e retornar somente quando a
conversa tivesse terminado.
- Como? É um investimento!
- Claro que não. Com esse
dinheiro do aluguel - que ela nem sabia qual seria a quantia, mas também não
estava disposta a pagar - mais o dinheiro da reforma, eu construo a minha casa
e ainda faço móveis sob medida.
Joana tinha noção de preços de
construção e móveis sob medida. Seu pai havia construído três casas de aluguel
e uma de suas amigas tinha uma empresa de móveis sob medida com o marido.
- É dinheiro jogado fora. -
Interrompeu dona Tânia confirmando as palavras de Joana, para a surpresa de
Joana. - Agora vamos comer. A sopa vai esfriar. Pedro, vem comer!
- Ainda acho que é um
investimento. Pensa nisso Joana.
- Não vou pensar. É dinheiro
jogado fora para nós.
- Pedro! Vem logo!
Dona Tânia queria que Pedro
viesse logo para mudarem de assunto. Ela não gostava de discussões e tinha
percebido que Joana não mudaria de ideia. Sabia também que o filho não tinha
havia gostado da proposta, mas que ele não tinha coragem de dizer não para o
pai. Por fim, ficaram esperando a proposta da casinha de bonecas sem outras
casas em vista. Aguardavam ansiosos pela proposta que a tia de Pedro, tia
Maria, daria no fim de semana.
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