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Conto: Agora sou independente

Quando completei 18 anos pensei: - Agora serei independente. Não demorou para perceber que os meus 18 anos serviram para que eu ganhasse mais responsabilidades. Faculdade, trabalho, primeiras contas para pagar sozinha. Começava a aparecer aquela vontade de voltar a ser adolescente, em que minhas preocupações eram: fazer o almoço, estudar o fundamental de meio período, treinar xadrez para vencer o campeonato e qual seria a próxima aventura de Goku em Dragon Ball Z.
Então pensei que assim que conseguisse meu carro, finalmente seria independente. Com o carro vieram mais despesas. Era IPVA, arrumar o motor levemente ferrado, refazer o estofamento que estava coberto por uma capa vagabunda para esconder o quão feio estava e a pintura já gasta do tempo. Ah! Ainda teve o primeiro “encostão”. Esse ninguém esquece, ainda mais se o seu carro é velho e o carro em que você deu um leve “encostão” é novo. Aí você descobre que seu carro tem um leve amassado, quase impercebível, já o outro carro foi metade do seu salário para arrumar um para-choque todo. Faz você querer voltar a ser criança para brincar de carrinho com seus primos, irmãos e vizinhos, onde as batidas resultavam em consertos fictícios que não duravam 1 minuto e se custasse algo seria, no máximo, um dinheiro de brincadeirinha ou algumas bolachas de suborno.
Aí chega a hora do casamento, onde penso: - Agora sim! Agora serei independente! Este pensamento dura até o seu primeiro almoço de domingo, onde você decide cozinhar e lembra que a sua mãe não mora mais com você; você saiu debaixo das asas de sua mãe. As suas briguinhas agora são de casal e elas não podem mais serem resolvidas com uma birra e uma porta de quarto fechada, afinal de contas você é adulta e está casada. Para compensar, você pode limpar a casa com a ajuda do seu marido ao som da música que você curte e dançar entre uma música e outra, pode se jogar na cama a hora que quiser e pode voltar a ver desenho no tempo livre sem ter que explicar para seus pais.
A criança que fui, tímida e inocente; a jovem alegre e esperançosa e a adulta que julguei ser independente. Enfim você se dá conta que independência é uma constante evolução do seu corpo e do seu estado de espírito. Quando encontra o equilíbrio é que vira, finalmente independente. Não tenho certeza se já me tornei independente, mas tenho certeza que sou feliz!

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