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Conto: Fugitivo da manhã

Você quer atenção. Como uma de suas tentativa, você  foge. Olha para trás e me vê correndo desesperada, garantindo assim que conseguiu chamar a minha atenção, correndo em pleno centro da cidade onde os carros estão passando ao nosso lado. 
Este cachorro volta para casa? Confira o que acontece neste conto.


Você está me olhando e eu tento me despedir pela última vez enquanto termino de vestir os sapatos e fechar a porta da casa. 
Peço para não fazer essa cara, pois tenho que sair.
Você continua me olhando, andando de um lado para o outro na minha frente, pedindo atenção, querendo aproveitar todos os minutos possíveis que me separam do portão de casa.
Eu digo para não fazer assim, que logo eu voltarei e então poderemos brincar, pois você sabe que eu preciso trabalhar.
Você não para.
Então eu faço um último carinho na sua cabeça, abro o portão e saio distraída, olhando o relógio e pensando o quão cedo chegarei hoje no trabalho.
Você passa entre mim e o portão. Eu tento impedir, mas já é tarde: você consegue passar e pula a galopes como quem quer brincar de pega-pega.
Eu peço para você voltar.
Você olha para trás, abre um sorriso grande, coloca as orelhas para trás, balança o rabo, volta a olhar para frente e sai correndo pela rua, no centro da cidade.
Fico aliviada de passear com você quase todos os dias, com a coleira, fazendo com que você conheça bem o quarteirão em que moramos, mas ao mesmo tempo me desespero: estou sozinha, no centro da cidade e você saiu correndo de casa.
Eu saio correndo atrás de você, viro a esquina de casa e te vejo.
Você olha para trás enquanto corre, conferindo se já estou atrás de você.
Então eu grito: - Volta aqui Baidu!
Uma mulher, que anda do outro lado da rua movimentada por carros, nos observa. Ela me vê correndo atrás de você.
Você já está longe na minha frente, cerca de 15 metros de distância.
A mulher do outro lado da rua sente o meu desespero e começa a correr atrás de você, parando às vezes e batendo em suas coxas tentando chamar a sua atenção. Ela não obtêm sucesso.
Agora somos duas desesperadas, completas desconhecidas, atrás de você.
Mais uma vez eu berro, desesperada: - Baidu! Para! Volta aqui!
Você novamente olha para trás. Está se divertindo, pois finalmente tem toda a minha atenção.
Vejo duas pessoas mais a frente e grito de longe: Para esse cachorro! Vocês! Parem ele!
Um casal, completamente desconhecido para mim, consegue interagir com você. A mulher com um pouco de receio enquanto o homem toma coragem e faz um carinho na sua cabeça. 
Você é muito fácil com as outras pessoas.
Pronto, eu consigo te alcançar.
Te pego pelo pescoço e dou um abraço. Consigo parar e pensar que tenho somente as chaves do portão em minhas mãos e nenhum modo de te prender e levar de volta para casa. Lembro também de ter deixado o portão de casa aberto, em pleno centro da cidade logo depois de sair correndo atrás de você.
- Por que você fez isso?
Estou vestida com roupa social, suada por correr atrás de você.
Agradeço às pessoas que conseguiram prender a sua atenção por segundos suficientes para eu te alcançar. 
Te pego no colo. Seus 10 quilos me fazem lembrar o quão bom é estar em forma física boa o suficiente para te carregar os 200 metros até em casa.
- Logo será sábado e terei o dia todo só para você. Mas neste momento eu preciso sair e ir trabalhar.
Naquele momento eu já estava atrasada. Não chegaria mais cedo ao trabalho como eu havia planejado.

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